SESSENTA ANOS!!!!!!!!!!!!!!
Sessenta anos! Vixi!!! Tecnicamente, velho! Na lei, velho! Para os jovens, velho. Mas, vivo sim. Vivo e disposto a viver bem. Qualidade de vida é minha busca atual. E por falar na vida, eis uma retrospectiva da minha.
Fazendo uma retrospectiva do que foi minha vida, o que encontro? Inicialmente, minhas origens! Não poderia desejar nada melhor. Não poderia encontrar nada melhor. Não poderia ser melhor. Minha origem vem da força, da tenacidade e da capacidade de luta de Manoel Negreiros e da mansidão, da brandura e da correção de Lauro Monte. Não nasci em berço de ouro. No crossing over da minha existência tem um material muito melhor. Nasci de algo muito mais valioso. Muito mais nobre. Muito mais difícil de achar! Nasci das entranhas de dona Zélia e da paternidade de Gabriel Negreiros. Este sim pode se chamar de berço rico. Foi através deles, no colo deles que venci muitas noites mal dormidas pela asma. Foi através deles que fui educado para o bem. As interações genéticas com o ambiente circundante propiciados por Gabriel e Zélia tornaram as doenças, as agruras e as dificuldades da vida mais amenas e mais fáceis de serem vencidas. Ao mesmo tempo me proporcionaram ainda segurança, bonança, alegrias, bem estar, felicidade e sensação de riqueza. Não só para mim, mas também para meus irmãos Ione, Rafael e Edson. Inesquecível. Foram meus pais que me incentivaram nos estudos, na fé, na perseverança e também no amor. Posso afirmar a Gabriel e a Zélia, que minha infância, regida por eles, foi tranqüila, dourada, transbordante de carinho e plena de felicidade. Daria o resto de minha vida por um minuto com eles. Para Gabriel e Zélia meu carinho, meu amor e minha saudade. Muito obrigado PAI, muito obrigado MÃE.
“Ai que saudade que tenho
da aurora da minha vida
da minha infância querida
que os anos não trazem mais”.
A minha adolescência é um caso a parte. Dela falo depois. Da minha vida adulta ressalto a experiência indescritível de ser pai e avô. Gustavo, George, Gabriel e Gileno. Ricardo e Letícia, trouxeram cada um deles, sua marca registrada em meu coração. Um coração que limitado na sua capacidade fisiológica de bombear sangue é inteiramente sem limites na capacidade de amar. Cada um dos meus filhos e netos, cada qual do seu modo, tocaram o meu ser na sua parte mais íntima e ocuparam todos os espaços. Por amor a eles, quando rezo, não rogo por bons negócios, dinheiro, nem mesmo saúde ou felicidade para mim. Isso eu corro atrás! Por eles faço um único pedido: que retornem em paz para casa livres de quaisquer perigo. Para eles rogo por paz de espírito.
Da minha adolescência querida e inesquecível eu trago a consciência do meu eu se formando. A minha personalidade, o meu temperamento nem sempre fácil e dificilmente compreendido. Mas, dela também tenho inúmeras recordações. A mudança para Fortaleza, a separação dos meus pais e dos meus irmãos Rafael e Ione, da convivência com Chico Edson no Ceará e do desmame doido. Mas, mesmo isso, foi uma lição enorme. Aprendi aos 15 anos ter noção de administração do dinheiro, da responsabilidade para com meus deveres e os limites para os meus divertimentos. Trago ainda da adolescência e da infância as lembranças da convivência feliz com meus irmãos, Ione, Rafael e Edson, todos muito amados e queridos.
Naquele tempo de adolescente éramos embalados pela nova onda dos Beatles, Rollowing Stones, Renato e Roberto Carlos. Era uma época cheia de guitarras, sonhos e emoções. O romantismo aflorava na pele. Na praia do Tibau tive os melhores momentos da minha vida. Lembranças do namoro arrochado, as disputas com meus sogros, as serenatas, os amigos, os bares de Manoel Marreira e do Chorão, tornavam tudo novo e colorido como se tivéssemos ingerido uma elevada dose de LSD. Para mim o sonho não acabou!!
“Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes”
Êta época psicodélica!!!
Por último e de propósito deixo para mencionar um fato que aconteceu ainda na minha adolescência, mas que modificaria a minha vida para sempre: Foi o simples ato de ter ido ao Cine Caiçara assistir a um filme intitulado: “Senhoritas de uniforme” (Romy Schneider) na noite de 16 de novembro de 1965. Naquele dia com apenas 14 anos de idade eu conheci o amor. Algo que me tomou de súbito, com a velocidade da luz, com a força de um furacão, a intensidade do sol, a tenacidade do aço e com o tamanho do universo. Naquele exato momento, ainda aos 14, eu tive total consciência do que tinha me atingido: um amor que encheria minha vida, minha alma e os meus corpos cavernosos. Foi algo de tão colossal que ao sair do cinema eu tinha a mais plena convicção: encontrei a mãe dos meus filhos! A certeza era tanta que me recuso a colocar: encontrei a mãe dos meus futuros filhos e netos. Não. Para mim, Gustavo, George, Gabriel e Gileno, Ricardo e Letícia já estavam ali presentes. Eu não queria mais nada. Estava DECIDIDO.
Acabamos de fazer, portanto 45 anos de convivência, que carinhosamente brinco: 45 anos de chafurdo. Sim, tivemos nossos momentos de incertezas, de insegurança, de dificuldades. Mas, a vida não é assim? Desta maneira, consideramo-nos a perfeita personificação da citação bíblica que diz “O que Deus uniu o homem não separa”. Não me refiro ao ato do casamento em si, mas a real benção e mandado do Senhor: UNI-VOS. Em 2005 tivemos o ano de maior dificuldade. Eu errei, pisei na bola. Magoei a tudo e a todos que estiveram envolvidos no evento. Doeu. Peço desculpas. Mas, sobrevivemos. A força do amor foi mais forte. O mandado de Deus tinha que ser cumprido! E aqui estamos! O que tenho a dizer é: Tércia Luzia: EU TE AMO tanto agora como no momento que saí do Cine Caiçara há 45 anos!!!. A você e a meus filhos e netos dedico minha vida.
André Newton do Monte Negreiros
Lido em Público em 26-11-2010
Referente a 30 de novembro de 2010
Escrito em 4 de novembro de 2010
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