segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Discurso de Gustavo para Newton

Não sei fazer discurso, nem falar em público, mas se tratando do meu pai, vou tentar fazer uma breve narrativa de sua vida.

Andre Newton do Monte Negreiros nasceu em Mossoró, há 60 anos, no dia 30 de novembro de 1950, filho de Gabriel e Zélia Negreiros.

Quando menino costumava ir com seu avô Manuel Negreiros a Fazenda São Gabriel. Essa fazenda foi de vital importância para a vida Newton. Ali ele teve seu primeiro contato com a natureza. O rio, as plantas, os bichos, o açude, o meio ambiente. Nessa mesma época, conheceu a literatura, através da obra de Francisco Marins. Vou citar dois livros de Francisco Marins. Os Segredos de Taquarapoca e as Terras do Rei Café. A cada página que o jovem Newton lia, encontrava um personagem semelhante aos da fazenda do avô. Parecia que o autor tinha ido a São Gabriel e dali retirou cada personagem de sua obra. O Burrinho Maracujá dos livros tinha um semelhante na distante terra de seu Avô Negreiros. O capataz, as plantações, o curral, Nhô Chico, Januário. Ficção e realidade. Essa junção de literatura com a natureza foi muito importante para a vida de Newton, o acompanha até hoje.


Por volta dos 14 anos conheceu minha mãe, Tércia. O namoro foi conturbado, meus avõs materno não queriam. Enquanto Newton foi estudar em Fortaleza, Tércia estrategicamente foi enviada para Natal. Os planos de vovó Lili não deram certo, prova tal que estamos aqui Mãmãe, eu, George, Gabriel e Gileno.
Newton se formou em Fortaleza, fez mestrado em Recife, foi aprovado para lecionar na Esam e depois na UFRN. Uma vida ensinando. Foi professor a vida toda. Mas não se dedicou só a ensinar, foi além, buscou produzir novos conhecimentos, pesquisou, inovou. O nome disso, o nome disso é ciência, e Newton tem sua vida ligada a ciência.

Já agora, há seis anos, faltando apenas quatro meses para se aposentar, quando lecionava mais para a pós graduação orientando alunos do mestrado, quando sua produção era conhecida no Brasil e no Mundo, basta uma simples pesquisa na internet para observar a quantidade de citações em obras em diversas línguas. Surgiu a oportunidade para ensinar na UERN. Mas para isso tinha que passar em concurso público. Ele que nos últimos anos estava acostumado a uma bioquímica aprofundada, vertical, extremamente especializada, teve que voltar as margens e estudar de forma horizontal, um conteúdo mais raso, entretanto muito vasto. Foi aprovado com facilidade. Foi morar em Mossoró, ajudou a fundar a faculdade de medicina da cidade, foi seu primeiro professor. Acompanhou também o último ano de vida, daquela que considero, com as devidas vênias as todas as mulheres aqui presentes, a maior e a mais cheia de virtudes de todas as mulheres que já pisou nessa terra, Zélia Negreiros.
Em Mossoró Newton dava aulas, repassava conhecimentos, mas parou sua produção cientifica. Em congressos não ia mais como palestrante ou expositor, apenas como ouvinte. E para um cientista isso é muito pouco. Foi quando Tiago Gadelha convidou para ele voltar a morar em Natal.

Aqui, mais uma vez ele reencontrou a ciência. Agora não mais em laboratório, com pepitas, reações químicas, isolando proteínas. Agora ele transforma sonhos fraguimentados em realidade. Pega pedaços de sonhos e com metodologia científica coloca no papel. A prova é tal que em Mossoró tem um veiculo que voa a três centímetros do chão tanto na água, como na terra. Não tem só esse projeto, mas muitos outros. Isso, isso é ciência.

Falo essas palavras para dizer que tudo isso é pouco. Na verdade muito pouco em ralação aquilo que na verdade Newton é especialista, é mestre e doutor. Papai é especialista, mestre e doutor na arte de amar. Amar a família sobre todas as coisas. Seu coração é enorme, tão grande que fica difícil até de fazer contas. Tem quatro filhos, eu, George, Gabriel e Gileno, mas como falar em filhos se não falar em Tio Edson seu quinto filho, e se coloco tio Edson também tenho que falar no sexto filho Diogo.

Irmãos são três, Rafael o querido, Ione a única mulher e Edson que é uma mistura de irmão e filho. Mas para falar de irmão tenho que colocar o quarto irmão, Armando Negreiros, primo que ele considera irmão. Também tenho que falar do quinto irmão, o caçula, irmão de apenas quinze anos, Roberto Furtado.
Sobrinhos e sobrinhas são muitos, mas falarei de quatro sobrinhas especialíssimas, Christianne, Mary Dias, Silvana, Viviane e Valéria. Falar dessas cinco sobrinhas remete aos quatro sobrinhos queridos de Newton: Ciro, Mauricio, Geraldo e o Nego Aécio. Também não posso deixar de falar de sua devoção por seu tio querido, Raimundo Costa. Aqui estão presentes todas as pessoas que papai ama. Infelizmente faltam muitos que já partiram, cito dois se aqui estivessem tornaria esse dia de papai ainda mais feliz: seu avô Lauro Monte e Gustavo Eugênio.

Para falar de papai também tenho que falar de mamãe e a união deles. Na minha casa, enquanto maior for o problema, a quantidade de cacos, com mais firmeza papai e mamãe colam essa cacos. Dizem que ao amassar uma folha de papel nunca mais ela volta ao normal, pode tentar desamassar ou mesmo passar um ferro, que ela ainda assim não desamassa. Pois eu digo, lá em casa essa folha volta ao normal, e volta muito mais forte, pois meu pai e minha mãe são insuperáveis na busca da união, da paz e da harmonia. Quem tiver com um problema ou uma briga pode chamar papai, ele vai com o intuito de revolver o problema, encontrar a paz, como diz a Oração de São Francisco:
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união

Assim é meu pai, tentei de maneira breve, como se fosse possível, descrevê-lo. E me remeto a uma conversa que tivemos sexta-feira passada, quando ele chegou de Mossoró e me disse todo animado, que a genética estava evoluindo de maneira tal que as pessoas que estavam nascendo nesse ano ou que nasceram nos últimos cinco anos poderiam chegar aos 150 anos. Que antes da doença aparecer já poderia passar pelo tratamento para corrigir o mal que estava por vir. Aí, meu pai, é o lhe desejo do fundo do meu coração, que com muita paz e harmonia, no dia 30 de Novembro de 2100, quando o senhor tiver completando 150 anos, toque a campanhia da sua casa, e quando o senhor for atender, abrir a porta, que Ricardo e Letícia então duas crianças com 101 anos, digam: Vovô Newton, parabéns e muitos anos de vida.

Um comentário:

  1. Gustavo, remeto mais uma vez por meio deste os parabéns a seu Pai, tio querido de Mary e por tabela o meu tio torto mais querido, pois Ele foi o primeiro que conhecí da família de vcs por intermédio do meu parantesco com a sua mãe, daí o inicio de uma afinidade comungada nestes 27 anos de convivência, expressos na firmeza de caráter,espírito de luta e acima de tudo a sinceridade e respeito as diferenças que Ele muito bem resume ao dizer : "Deixe EU ser EU ".
    Sócrates a muito já dizia: "a fórmula para que vc tenha uma vida boa Eu não sei e não posso saber" pois vida boa é a que livremente escolhemos entre 360 graus de outras possibilidades e que só vc pode saber se lhe serve e provavelmente não serviria para mim, ou seja, Newton aos 60 anos segundo o seu belo relato teve e está tendo uma ""Vida boa".
    um forte abraço.

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